terça-feira, 6 de março de 2012

Mother Fucker - Florence Foresti

O humor francês começa a ficar mais familiar ao meu riso. Florence Foresti é do tipo mignon e caricata - propositalmente, ela abusa dessas características e, como todo bom comediante, sabe expor seu lado “ridículo”. Não é minha humorista preferida na França (o que importa?), mas é uma das queridinhas da sua nação. 

Acometida por síndromes de pânico, até antes de ontem ela era designer gráfico e sua carreira de humorista começa 28 anos após seu nascimento e, em 2009, com Mother Fucker, comedy stand-up hilária e louca, que tem como tema uma mãe em crise de identidade e de idade, Foresti me fez mudar de opinião sobre ela. 

Em determinado esquete de MF, Foresti se olha no espelho e não se reconhece, não sabe se quem ela vê, é ela de frente ou de perfil, depois de algum tempo, se pergunta "... Mamãe é você?". Num outro, desabafa: “*Gente, que loucura, foi ontem, eu dançava na boate, bêbada, no ápice da minha juventude...”.

Mas essa mãe ensandecida descobre o advento das babás e volta pras baladas. Em pistas de danças, dança bem pra “cárai” encore, mas seus passos estão datados. Toma aquele porre e, na manhã seguinte, explica à filha: “•aquela mulher que você viu chegar ontem à noite, não é a mamãe, é uma outra pessoa...”.

E, para deixar as mães mais seguras, sintetiza: “Parque é o cemitério da sua juventude” - vários esquetes são baseados nesse cotidiano "bucólico" e, num deles, ela ensina às outras mães um atalho do parque, secreto, para ir direto às lojas de grifes. No dinal do espetáculo, no bis de MF, Foresti faz o “ponto-de-vista” do bebê , esse esquete é o meu preferido .


O espetáculo Mother Fucker existe em DVD e, abaixo, coloco um trecho dele. 

terça-feira, 28 de fevereiro de 2012

Aventura francesa moderna

Rita Mitsouko não é alguém, é algo. Na verdade é les. Uma das bandas musicais mais originais, divertidas e irreverentes da França nos anos 80. Catherine Ringer não foi apenas atriz pornô, mas vocalista do grupo Les Rita Mitsouko. Performática, interpreta(va) letras ácidas, ritmadas e debochadas. Serge Gainsbourg não somente foi, como ainda é o ícone pop da música francesa. Provocador, de Q.I. e teores alcoólicos elevados, gostava só de mulher bonita. 

Na entrevista postada aqui, durante a emissão de um talk show francês, estão sentados  no mesmo canapé: Madame Ringer e Monsieur Gainsbourg. O cantor-compositor desmoraliza a "vida pornográfica da cantora", que até concorda com o “mestre” que é dégueulasse (nojento, repugnante) fazer filme pornô. A ex-atriz esclarece que não era p..., como ele sugere, não era paga pra transar com cliente. Oras bolas, caro Gainsbourg, não confunda lundi com mardi...

Serge continua com a provocação. Catherine retruca. Diz que ninguém consegue entender o que ele fala (sempre bêbado, enrolando a língua) e que o técnico de som tem que ralar para "decifrá-lo". Na discussão, há uma dinâmica interessante entre os dois: provocadora e hilária. Ringer, mesmo repeitando o ícone pop, não se intimida com as ofensas. No final, pra humilhar mais ainda, Serge diz algo sobre o dente de Catherine. (falta 1 dente na boca dela) -  a versão do vídeo do YouTube termina antes, mas eu os asseguro que foi dito.

Catherine Ringer responde com muita espontaneidade, sem o menor ódio intelectual no coração:

- É, eu sei, vou ao dentista na quinta.

segunda-feira, 9 de janeiro de 2012

Patinoire Tour Eiffel

O inverno chegou mais brando esse ano na França, em relação ao inverno passado (ufa!). Nos Alpes Franceses neva com direito a algumas tempestades (antes delas, fizemos ski por lá!). Mas na região parisiense "pas de neige, pas encore".

O frio está gostoso, suportável e, arrisco dizer, há dias como os de verão (céu azul e sol) - não fosse o vento gélido. Em Paris, uma sugestão temática e sazonal é ir à pista de patinação no primeiro andar da Torre Eiffel.

Montada em dezembro, fica aberta até 31 de janeiro. Quem compra a entrada à visitação da Torre tem o direito à patinação. Aquele que quer somente patinar paga 4,5  (adulto) e 3.5  (crianças) - luvas de inverno são obrigatórias!

Outro aviso aos patinadores, ao escurecer do dia, é mais bacana ainda, o jogo de luzes na pista faz da "patinoire" uma balada chouette e uma maneira diferente de vivenciar  a torre construída por "Gustave", entre 1887 e 1889?

quinta-feira, 5 de janeiro de 2012

L'Entredgeu Bistrot


Voilà! Il est prêt. Meu guia pessoal com 100 bistrots bacanas em Paris está listado e, para comemorar, decidi degustar aos poucos cada um deles. A temporada começou antes do Natal, aproveitei a presença  de uma amiga gourmande brasileira para debutar o paladar dessa lista veep.

Lá fomos nós, echarpes ao vento frio de dezembro, caminhando (e nos descabelando) pelo 17º arrondissement ao nosso restaurante-alvo do dia: L'Entredgeu. Ao chegar, um pouquinho antes das 14h, uma cortina vermelha aveludada parecia nos barrar. 

Suspense...Batemos à porta e, ufa!, estava aberto. Pudemos adentrar num ambiente quente e acolhedor, entre luminárias dos anos 50 e piso de cerâmica. Uma mesinha de madeira estava a nos esperar no bistrot intimista e pas cher .

Logo estávamos abocanhando nossas entradas: minha amiga, coquilles Saint-Jacques grelhadas e eu, tartar de peixe branco (cabillaud) - como a maioria dos bons restaurantes em Paris, foi usado somente ingredientes da estação.

Apesar das porções tímidas, tudo era fresquinho, perfumado e saboroso. Acompanhado de uma tacinha de branco, nosso prato principal, foi um delicioso pavê de peixe com risoto “figurativo” (estava delicioso, eu comeria muito mais!).

Não partimos à sobremesa. Um café fechou com chave de ouro um almoço delicioso, de uma honesta e excelente cozinha francesa de chefs (eles mesmos, os Entredgeu) que já passaram por grandes restaurantes como Ducasse e outros.

Voilà! Um bistrot bon à croquer.

L'Entredgeu
87 rue Laugier
F: 0140549724
12h às 14h - 19h30 às 22h30
Fechado às segundas e aos domingos
Fórmule déjeuner: 24 euros
A la carte: 32 euros
METRÔ: Porte-de-Chaperret

segunda-feira, 2 de janeiro de 2012

Por aqui passa Papai Noel sim!

fotos: viviane fuentes
Aos 30 anos de idade eu disse a minha sobrinha de 6: “Papai Noel não existe.” E ela respondeu: “…Bobinha.”. Mas até os meus 10, eu sonhava com a presença balonesca e avermelhada do velhinho grisalho, como qualquer outra criança.

Imaginava a neve, os rastros das patas de um animal desconhecido e traços de um um trénó mágico, carregado de brinquedos e, num dos pacotes coloridos, o meu brinquedo...Quel bonheur!

Num dezembro, entrei em pânico. Luna estava com 3 anos. Como contar que Noel existia?! Por sorte, a escola se incumbiu da missão. Foi ela quem alertou à mãe sobre a existência do barbudo generoso e, assim, desadormecemos a lenda.

Nesse final de ano, partindo dos Alpes para passar o Réveillon com amigos muitos queridos, vi uma placa. Debaixo da chuva de neve, descendo a montanha no carro expedição, não tive dúvidas. Fotagrafei a prova: Ali passava Papai Noel sim!

Ele morava secretamente na cidade onde passamos o Natal. Eu a reconheci por causa dos enfeites natalinos, bola de vidro com uma vila montanhesa inteira dentro dela. Sabe aquele enfeite que chacoalhamos e vai neve pra todo o lado?! 

Tetos glaceados, neve pousada nos pinheiros, flocos fofos e brilhantes soprados pelo vento numa mesma direção criaram uma atmosfera mágica e sugestiva para eu deixar na chaminé imaginária da casa de cada um de vocês, o pó prateado, às vezes dourado, da (s) fertilidade (s) criativa, emocional, humana.

fotos: viviane fuentes

sábado, 3 de dezembro de 2011

Puisque Le Roi...

fotos: iris della rocca "puisque le roi n'est pas..."

Pois é, La Vallée Village, do ladinho de Paris, do ladinho da Disney, é o outlet das grandes marcas, onde os preços parecem mais acessíveis aos "não-deuses". Muito charmoso. Tudo reunido num só lugar como num shopping, mas ao ar livre.

Coleções passadas por quase metade do preço. Com um bom olho, consegue-se bons achados, clássicos, originais - ou se emocionar (a loja da Valentino me fez "chorar", tocar peças da alta costura, românticas, costurada à mão, glamourosas).

Importante ter certeza do que está comprando - saber se é aquilo que realmente quer. Não existe gerentes nas lojas. Mercadorias não são trocadas. Nem existe um aviso claro sobre isso. O  próprio centro comercial gera as queixas.

Na administração, preenche-se um formulário "informal" e espera-se muitos dias para ter uma resposta que, provavelmente, não será favorável à troca. Mas outras "ocorrências" podem supreender, como a fotógrafa de 25 anos, Iris Della Roca.

Pausa às compras num universo poético, fantasioso e tocante.



No "Espace La Vallée Village" está a exposição da artista "Puisque le roi n'est pas humble, que l'humble soit roi". Em suas fotos, seus modelos, das favelas do Rio, parecem ser crianças e reis de verdade. Lindo. Merci Della Roca!

Espace La Vallée Village
2 cours de la Faronne Serris - Val d"europe/Marne La Vallée - França
www.lavalleevillage.com

quinta-feira, 1 de dezembro de 2011

Catacumbas Parisienses

fotos: viviane fuentes

Paris, 1785. Depois de 10 séculos recebendo cadáveres, o Cemitério dos Inocentes abarrotou-se de almas “ossuárias” que gemiam - uma do lado ou em cima da outra - e que começavam a contaminar os cidadãos que moravam em Le Halles.

Foi então que o Conselho do Estado de Paris resolveu promover uma operação na calada da noite. Carroças negras percorreriam ruas parisienses para evacuar ossos do Saints-Inocentes e reinstalá-los nas Catacumbas Parisienses, discretamente.

Nos primeiros anos da ação, as Catacumbas, vias públicas subterrâneas, eram transportados somente ossos e , com o decorrer do tempo, corpos em estado de decomposição. Uma ode aos góticos.

Hoje, na saída do RER Denfert Rochereau, pode ser o início do passeio o onde descemos descemos descemos escadas estreitas e torneadas até chegar as “carrières”: um labirinto a 20 m de profundidade com 6 milhões de ossos.

Debaixo de uma das cidades que mais evoca glamour e romantismo, poesias macabras, toneladas de crânios de quem não está nem aí há séculos  - programa desaconselhado aos cardíacos, percorrer 400 km "preenchidos" entre 1795 e 1867.

Uma maquete de pedra da fortaleza de Port-Mahon dá uma pausa "galeria de arte" no passeio mórbido onde, ilegalmente, rolam raves proibidas, espeleologistas vestem-se de neoprene, correndo o risco da morte, pois em alguns cantos dalí, a água sobe como as marés. E é mortal. Sorte que a maioria está morta.

Galeria de Ossos, bem debaixo do "nariz" de Paris
No ócio, funcionário de Luís XV fez a maquete da fortaleza  de Port-Mahon
Ossos milenares das Catacumbas Parisienses

ENDEREÇO
Catacombes de Paris

1, avenue du Colonel Henri Rol-Tanguy
75014 Paris
Tél. : 01 43 22 47 63
Fax : 01 43 22 48 17
 

Horários:

de terça a domingo das 10h às 17h (os caixas fecham às 16h)
ATENÇÃO ! : ULTIMA ENTRADA às 16h00 - Chegar com bastante antecedência.
Fechamento segunda, feriados e domingos de Páscoa

Entrada: 8 euros
até 13 anos, gratuita

quinta-feira, 17 de novembro de 2011

Onde moro by Michel Séméniako

As luzes da cidade se apagaram e Michel Séméniako fotografou. Pensei. Se fosse em São Paulo, Nova Iorque ou Paris, talvez não fosse tão possível a proposta que o fotógrafo fez à Marcoussis, cidade na Ile-de-France, com 8 mil habitantes.

O resultado não é descritivo, tem um “q” de fantasia. Através de sua lente, Séméniako subverte as cores do dia-a-dia e, mesmo que sejam charmosas por si mesmas, ele cria um universo fantátisco, colorido e vibrante de lugares-comum.

Lugares do cotidiano dos "marcoussissiens" são transpostos em “noites cromáticas” e, ao ler uma nota do prefeito, onde ele citava Jacques Prévert ao se referir a essa exposição, fiquei duplamente orgulhosa da cidade que moro.

A arte não morreu e o conhecimento dela não é ignorada por alguns políticos, mesmo em lugares longínquos. Num mundo multicolor, a interpretação das cores das noites e dos dias vai depender do olhar sensível de cada um.
Camenae - Château des Célestins
Capela do Château de Montagu
Médiathèque Léo-Ferre

Centro Nacional de Rugby - Mêlée des Limardandes
Antiga escola da comunidade
BMX- Parque de skate

quarta-feira, 19 de outubro de 2011

Mademoiselle Coiffée

fotos: bernard GILLOT
Demoiselle coiffée da região de Albiez Le Jeune (França)
A senhorita penteada (ou o penteado da senhorita?) foi ao cabelereiro e voltou mais penteada ainda, cabelo empedrado (nem usaram laquê), com 25 metros de altura, serelelepe, não passou desapercebida, e adorou o novo look

Foi isso que pensei ao ouvir pela primeira vez algo "vamos ver uma demoiselle coiffée". Claro, não é necessário pirar tanto numa escultura da natureza que surge do processo de erosão, sobretudo nos Alpes.

A alquimia da água, vento e neve, é responsável por essa aparição em terrenos secos e argilosos. As demoiselles coiffées, também conhecidas como "cheminée de feu", são vistas na França nos Hautes-Alpes e Hautes-Provence.

A "moçoila" deste post posa em Albiez Le Jeune e está numa balada charmosa e fácil de fazer a "Boucle Moine de Champlan" de 1.5 km. De onde ela está, é possível ver Albiez Le Vieux, as Aiguilles d'Arves, o Mont Emy, e sem se descabelar.

Cabelo, cabeleira, cabeluda, descabelaaaada.

Erosão criou esse tipo curioso de escultura
Demoiselle coiffée Le Moine de Champlan

terça-feira, 11 de outubro de 2011

Glaciers de l'Etandard

fotos: Bernard e Mathieu GILLOT/Viviane FUENTES
Conta estourada. Caminhar não paga. Assinei o último cheque com a caneta Montblanc, desliguei meu laptop MacPrada e decidi caminhar! ...Ooops, essa frase parece da Bekky, protagonista do livro que acabei de ler Confessions d’une accro du shopping (2006) de Sophie Kinsella. Mas não é dela nem minha.

Porém há 2 palavras na frase que são a alma deste post. Caminhada e Montblanc. E por que não, juntar ao passeio uma terceira sugestão, lago?  Já pensou em tomar um banho de lago glacial, com vista paro o monte Montblanc, depois de subir quase 4 inclinados km e alcançar 2.553 metros de altitude?

Então a dica é fazer a "randonnée" Glaciers de l’Etendard, uma deliciosa caminhada que trabalha bastante os músculos do coração e das pernas –usando bastões, os dos braços também. Até a Luna (4 anos) caminhou conosco 6 hs (subida, piquenique e descida), bem orientada pelo pai mouton

Foi um desafio árduo, mas "possível". Os vertiginosos não travaram, nem fizeram escândalos, marcharam calados, transformando o som do caminhar num mantra em meio ao silêncio da natureza (algumas vezes interrompidos por 4X4).

Partimos de 500 m de altitude e em 3 horas chegamos a 2.553 m. Dali, vimos Saint-Sorlin e uma bela paisagem glacial (no verão ainda resta um pouquinho de gelo nos picos): lago Bramant, panorama para os montes de Belledonne, Beaufortin que domina o Montblanc, Grande Lauzière e Grande Casse.

O apogeu é atingir aos 3.465 m de altitude, no Pico de Etendart. Mas fizemos o passeio em família e, apesar, de estarmos orgulhosos pela Luna, não podíamos exagerar. Tínhamos mais 4 km de descida, 3 horas ainda para caminhar.

Alpes, com direito à vista ao Montblanc, o sol contrastava o vento gélido. Ninguém nadou, crowl ou clássico. Mesmo no verão a água do lago é gelo derretido! Esquecemos a bravura e fizemos uma ducha quente no conforto do chalé.


Geleiras de Etandart (Saint-Sorlin d'Arves): início da caminhada
Parceiros em Savoie: Luna e Mathieu sobem a montanha
Lago Bramant: quer nadar?
A vista: recompensa a 2.553 m de altitude

domingo, 9 de outubro de 2011

Cinema Animalier

fotos: Anne e Erik LAPIED
Bouquetin, personagem presente nos Alpes Franceses e em "La Valée Oubliée des Hommes"
Fomos ao cinema no primeiro dia de férias nos Alpes. Alguns poderão se indagar: mas ir ao cinema durante as férias, e na montanha? Sim, primeira sessão, 18h30. O manual de sobrevivência diz: ir ao cinema sempre, sempre que possível! E, lá, nada mais temático do que assistir a um filme animalier em família.

Me perguntei: mas que diabo de gênero de fime é o animalier, que bicho será? Que tipo de 7 cabeças, ele é? A "Lassie", série televisiva dos anos 80 é? Ou os documentários do Planeta Terra, programa da "extinta" TV Cultura, são filmes animalier? Para o meu alívio o querido mestre da categoria esclareceu.

Jacques Perrin. De Microscosmos, Oceanos e Le Peuple Migratuer. O respeitado cineasta francês diz que o cinéma animalier é a arte de olhar. Não é apenas mostrar os animais na natureza, em seu habitat. Mas REFLETIR. Dependerá da sensibildade do diretor, o filme ser ou não bom.

Para concluir, Cinéma Animalier não é exatamente documentário. Lembra ficção, há ficção, mas não é. O filme que assistimos naquele final de tarde era assinado pela casal de cineastas Anne e Erik LapiedLa Valéee Oubliée des Hommes.
A Camurça (Chamois), protagonista, do filme "La Valée Oubliée des Hommes"
Ele é parte integrante de uma trilogia (Voyage au bout de l'hiver e Juste après la neige) que retrata, em 4 estações, o modo de vida dos principais animais dos Alpes, tendo o cabrito montês (chamois) como o fio condutor.

Durante uma briga com outro de sua espécie, o chamois se machuca e é obrigado a se refugiar. Pouco a pouco, os cineastas nos ajudam a desvendar e a refletir sobre as adversidades pelas quais os animais montanheses passam, ficando claro que a montanha foi feita para os mais fortes.

Ao término do filme, ouvimos a palestra de Anne Lapied e, no final, Mathieu e eu discutimos mais sobre a o cinema "animalier" e outras curiosidade e fatos reveladores sobre as filmagens - enquanto isso sua filha e seu marido exibiam seus filmes e palestravam, mas em outros vilarejos dos Alpes.

A família Lapied mora nas montanhas há mais de 15 anos e divulgam seus filmes, sobretudo na França, e na região em que estão. Produzem, exibem, palestram, distribuem e, sem "holding", são eles mesmos que escalam montanhas e carregam e observam e filmam, faça sol, chuva e, sobretudo, neve.
Anne Lapied durante a filmagem de "Voyage au Bout de l'Hiver"

segunda-feira, 3 de outubro de 2011

Course de Neuilly


Ontem aconteceu a Corrida de Neuilly na "pequena coroa" de Paris - 10 €, mais de mil inscritos, a partir de 10 anos de idade, para percursos de 1.5 km, 5km  ou 10 km. Manhã ensolarada e ao mesmo tempo fresca por causa das árvores milenares e dos imóveis de 3 ou 4 andares, no metro quadrado mais caro da França.

Senhor Presidente e famosos se instalam no bairro de Neuilly (Neuilly-sur-Seine).

Participar de uma corrida como essa é ter  a chance de trafegar por ruas charmosas sem a circulação normal de carros e pedestres. No final, cada participante ganhou 1 camiseta - os vencedores levaram seus troféus e eu, a deliciosa sensação de ter competitido e corrido, pela primeira vez, 10 km em Paris.

Voltaremos, no próximo ano!

quinta-feira, 29 de setembro de 2011

Lindo e (quase) mortal

Fotos: Mathieu GILLOT e Viviane FUENTES
Será que a mosca sobreviverá depois de tocar o Amanite Tue-Mouche?
Outono, chuvas. Começou a época da colheita de champignons na França. Antes de pegar o que vê pela frente, é importante saber quais são os cosmestíveis e quais não. Como, por exemplo, o Amanite Tue-Mouche.
Eles desenvolvem muito rapidamente depois da chuva, os cogumelos Amanite Tue-Mouche
Considerado uma espécie cosmopolita, ele veste um chapéu vermelho vibrante, salpicado com bolinhas brancas que não vai acompanhar o prato do seu almoço. Mas será que ele mata moscas, como sugere o nome em francês (tue-mouche)?
Touche pas: Atenção, esse cogumelo não é cosmetível
Na Grécia Antiga era utilizado nos cultos dionísicos e, atualmente, em rituais xamânicos e indianos (soma) por causa de suas propriedades alucinógenas (nesse caso acho que ele é utilizadopra dançar, festejar!).
Tue-mouche: bonitinho e alucinógeno
Aos amadores de cogumelos, touche pas! A chuva pode retirar as verrugas brancas do seu chapéu, causando confusão. Não coma um cogumelo que você não tem 100% de certeza que é cosmetível. Sempre pergunte a um bom entendedor.

quarta-feira, 28 de setembro de 2011

Albiez- Montrond

Fotos: Bernard e Mathieu GILLOT/Viviane FUENTES
Vista de Albiez-Montrond - França
Em Savoie, França divisa com a Itália, há uma cidade muito conhecida, Saint-Jean-de-Maurienne e, a 18 km dela, está Albiez-Montrond, vilarejo situado no alto da montanha, num vale ensolarado, faça neve ou não.
Lá no fundo as Aiguilles D'Arves (Albiez-Montrond)
Esse lugar faz parte da história do meu marido. Durante sua infância, esquiou bastante por ali - entre os 2 Albiez (Albiez-Le-Jeune), há 2 estações de ski. Hoje, com mais chalés do que há 20 anos, o vilarejo ainda é pequeno e charmoso.
Albiez Montrond: vilarejo singelo e charmoso
Tem escola de equitação, lagos artificiais para se banhar (em agosto a média foi de 23 graus). Trilhas (níveis inciante e iniciado), ao pé das "Aiguilles d'Arves", conhecida também como "Tête de Chat" (já falamos dela, lembra?).
Aiguilles D'Arves - em Albiez-Montrond
O "Col de Mollard" chega a 1.600 m de altitude. Na gastronômica, do meu ponto de vista, o que ressalta é o queijo local o Beaufort (bonito e forte?!) e o Reblochon que eles fabricam é excelente! Os vinhos são honestos.
Queijo Beaufort, típico de Savoie (foto dedivulgação, extraído so site da empresa)
Foi lá que, há 1 século, o senhor Opinel criou um canivete simples, robusto e eterno. Ali fundou seu negócio de família e, aos amantes dos "couteaux", há um museu a visitar - os preços não diferem muito dos "opinéis" encontrados em Paris.
Foto extraída do site da Opinel
Em nossa primeira noite no vilarejo, fomos ao cinema. O filme narrava a história de um chevreuil  que, após, ter caído num precepício, quebrado a perna, viveu recluso nas montanhas e sobreviveu, mesmo com vertigem...Me identifiquei.
Alpes franceses: de manhazinha, vista de Albiez-Montrond

Próximo post: Cinema nas/das montanhas (Cinéma Animalier).

terça-feira, 27 de setembro de 2011

Alpes franceses, no verão

Programa do dia: caminhar 6 horas na montanha - subir e descer!
fotos: Mathieu GILLOT e Viviane FUENTES

Na França, as férias escolares duram 2 meses (julho e agosto). No verão, os franceses preferem ir para a praia. Apesar da minha vertigem, meu fiasco em caminhadas íngremes e selvagens, decidimos ir para os alpes franceses. 

Programa do outro dia: tentar escalar, sem escorregar no precipício
Pra quem entende mais de asfalto, a montanha pode gerar pânico (meu caso). Por outro lado, sopro de vida (meu também): colher morangos silvestres à beira das trilhas,  fotografar tapetes de champignons (Tue-Mouches) que não se podem comer!


Petit Déj: frutas vermelhas selvagens na beira das trilhas
Muitas caminhadas em trilhas úmidas ou secas. Ida ao cinema, a descoberta do "cinéma animalier". Dia sim, dia não, jantar gourmand (tartiflette, raclette) e a cereja-do-bolo: (tentar) ver marmotas.

Champignons Amanite Tue-Mouche: On ne peut pas manger!
E, se você achava que "bicho da montanha" era o "Pé Grande", e não o bouquetinchevreuil, descobrirá nos próximos posts que "cabeça de gato" não é um prato é sim um clássico arqueológico de Savoie, nos alpes franceses.
Final da tarde: vista para a Tête de Chat (Savoie-França)